Cibele Moura repercute caso de estupro da blogueira Mariana Ferrer e repudia ataques durante julgamento

por Comunicação/ALE publicado 04/11/2020 11h55, última modificação 04/11/2020 12h04

O caso da blogueira Mariana Ferrer, atacada por advogado durante julgamento sobre estupro do qual teria sido vítima em 2018, em Santa Catarina, repercutiu no plenário da Assembleia Legislativa durante a sessão plenária desta quarta-feira, 4. O assunto foi abordado pela deputada Cibele Moura (PSDB), que repudiou a forma com a qual a jovem de 23 anos foi tratada pelo advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, que defende o empresário André de Camargo Aranha, a quem Mariana Ferrer acusa de estupro. “O que aconteceu em Santa Catarina mais pareceu um tribunal inquisitório, não um julgamento. Naquele momento, a vítima, uma mulher, é quem foi julgada”, avalia a parlamentar.

Após ler trechos das falas, tanto da vítima quanto do advogado, durante a audiência que foi presidida pelo juiz Rudson Marcos, a deputada Cibele Moura se disse indignada, e lembrou que o Senado aprovou uma nota de repúdio e várias personalidades demonstraram indignação em suas redes sociais. “O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse que achou estarrecedor o que aconteceu naquela sessão”, informou a parlamentar. “Estamos cansadas de falar que as mulheres vítimas de violência devem denunciar, que a Justiça vai estar pronta pra acolher. Aí eu pergunto: é isso que acontece quando as mulheres denunciam? Estamos falando de um caso envolvendo uma blogueira conhecida e que o Brasil todo está acompanhando. O que acontece quando o Brasil não está de olho no caso?”, questionou Cibele Moura, cobrando uma posição da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre a conduta do advogado, e também do Ministério Público sobre a atuação do promotor, que não agiu em defesa de Mariana Ferrer, quando a mesma estava sendo humilhada. “Fica aqui todo o meu repúdio e minha indignação. Absurdos como esses não podem acontecer. Quando falamos em estupro, quem está sendo julgado é o réu e não a mulher, a vítima”, completou.

Em aparte, o deputado Cabo Bebeto (PTC) colaborou com o pronunciamento da colega de plenário e lamentou o posicionamento do advogado.

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