Discurso do presidente Jair Bolsonaro repercute entre parlamentares

por Comunicação/ALE publicado 25/03/2020 17h07, última modificação 25/03/2020 17h07

O discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite de ontem, em cadeia nacional, repercutiu no Parlamento alagoano, durante a plenária virtual desta quarta-feira, 25. Dos nove parlamentares que se posicionaram sobre o assunto, apenas os deputados Cabo Bebeto (PSL) e Bruno Toledo (PROS) foram favoráveis à fala de Bolsonaro. A maioria viu como um desserviço a intenção do presidente da República em relativizar a pandemia do coronavírus (Covid-19), classificando a doença como uma "gripezinha", criticando os governos estaduais e municipais pelas medidas adotadas, criticando a imprensa e, principalmente, contrariando as orientações da própria equipe do Governo Federal e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendam o isolamento social para tentar conter a disseminação e o avanço do vírus.

O primeiro a repercutir o pronunciamento foi o deputado Davi Davino Filho (PP). Ele se posicionou contrário ao que disse Jair Bolsonaro, pois na avaliação dele gera incerteza na sociedade. Davino é de opinião que todos devemos seguir o que recomendam os técnicos. "A minha opinião nesse momento é que a gente siga a orientação do Ministério da Saúde. A OMS recomenda o isolamento social", disse Filho.

Na opinião do deputado Marcelo Beltrão (MDB), o pronunciamento de Bolsonaro se assemelha ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no que diz respeito a questões econômicas. Para Beltrão é necessário montar uma estratégia para combater a Covid-19 e, ao mesmo tempo, fazer 'girar a roda da economia'. "Não sabemos qual será pior: se a retomada da economia tardia ou o alastramento cada vez maior do coronavírus", observou. "Lógico que precisamos, o mais rapidamente, fazer girar a economia, mas não pode ser de acordo com o imediatismo das falas do presidente", observou Marcelo Beltrão, destacando o trabalho do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no sentido de estruturar os governos dos estados e dos municípios para o enfrentamento e o combate ao coronavírus.

As deputadas Cibele Moura (PSDB) e Jó Pereira (MDB) e os deputados Inácio Loiola (PDT), Davi Maia (DEM) e Dudu Ronalsa (PSDB) também condenaram a atitude do presidente Jair Bolsonaro. Eles avaliam que esse não é o momento para politizar e polemizar sobre um assunto tão grave. Ao invés de gerar incertezas na sociedade, é hora de união e de apresentar planos de ações visando o enfrentamento da pandemia.

"Lamento muito o presidente usar a rede nacional para relativizar a Covid-19. Isso é perigoso e leva a população a confrontar as informações, sem saber no que acreditar", avalia Cibele Moura. "Precisamos ter muita responsabilidade. Não é momento de politizar, nem de fazer ataques à ciência. Ao contrário. É urgente encontrar uma saída para o confinamento, ninguém discorda disso, mas é preciso ter muita cautela", prosseguiu a deputada.

Historiador por formação, o deputado Inácio Loiola (PDT) lembrou que em 1918, durante a 1ª Guerra Mundial, houve uma pandemia de gripe espanhola. Nessa mesma época, o presidente reeleito Rodrigues Alves não tomou posse no cargo porque morreu após contrair a doença. Ele considerou uma irresponsabilidade o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro. "Presidente Bolsonaro, pare de brincar com fogo. Essa pandemia é a mais séria deste século. Devemos deixar as questões políticas de lado. As autoridades sanitárias devem dizer o que é certo ou errado", declarou Loiola.

Favoráveis ao pronunciamento de Jair Bolsonaro, os deputados Cabo Bebeto e Bruno Toledo argumentam que o presidente, ao seu modo peculiar, está correto na sua avaliação e que a medida adotada pelos governos, de isolamento social e fechamento do comércio, é extrema e prejudicial à economia do País e dos Estados. Ambos são de opinião que as pessoas que estão fora do grupo de risco retomem as atividades.

"Na minha opinião, o comércio deveria reabrir no dia 1º de abril. É um prazo razoável para que essa curva possa ser esticada e minimizada", observa Bebeto. "O autônomo, que sobrevive do que vende, não vai aguentar por muito tempo", declarou o parlamentar, ressaltando que na história recente de Alagoas, durante a gestão do então governador Divaldo Suaruagy, o Estado passou por momentos de crise econômica muito sérios.

Para Bruno Toledo, o presidente Bolsonaro fez um discurso corajoso e que, em nenhum momento, desdiz a fala do ministro Luiz Henrique Mandetta. Na opinião do deputado, o problema maior será a crise financeira que o País enfrentará ao final da pandemia. "O presidente (Bolsonaro) diz que as mortes estão centralizadas em grupos de risco, que o falecimento de pessoas acima de 60 anos está sempre associado a outras doenças. O presidente, em nenhum momento, desdiz o que fala o ministro Mandetta", afirma Bruno Toledo.

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