Inácio Loiola se posiciona contrário à privatização da Casal

por Comunicação/ALE publicado 12/08/2020 13h17, última modificação 12/08/2020 13h17

Recorrente no plenário, a questão da privatização da Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas) foi tema do pronunciamento do deputado Inácio Loiola (PDT). Para ele, a venda da estatal vai deixar ainda mais difícil a vida do alagoano, principalmente da população que vive distante dos centros urbanos. “Qual empresa privada vai levar água para as pequenas comunidades no interior do Estado, cujo custo por metro cúbico é de R$ 20,00 para chegar até o município de Ouro Branco?”, questionou o parlamentar, informando que a Casal abastece os moradores distantes dos grandes centros cobrando apenas R$ 5,00 por metro cúbico.

Loiola observou ainda que a privatização abrangerá apenas a Região Metropolitana de Maceió, ou seja, onde o setor privado obterá mais lucro. "Ou seja, o capital privado só põe dinheiro onde há lucro. E a água é um bem de todos, a serviço de todos. Como pode o Governo do Estado vender uma empresa que vem gerando lucro e que é fundamental para levar água para nós, alagoanos?”, questionou o deputado, argumentando que a Casal é um patrimônio dos alagoanos e que, nos últimos anos, obteve superávit acima de R$ 60 milhões. "Não é admissível repassar uma empresa para o capital internacional explorar o que é nosso pelo valor mínimo de R$ 15 milhões e 125 mil reais”, salientou Inácio Loiola, destacando ainda que após investimentos e desempenho dos trabalhadores, a estatal vem conseguindo resultados concretos, financeiros e sociais. “O próprio presidente da Casal, Clécio Falcão, tem declarado que a empresa ingressou, definitivamente, em processo de sustentabilidade econômico-financeira e que é uma empresa viável. Então por que vendê-la?”.

“Por que o discurso de que o Estado é ineficaz no avanço do saneamento e somente o setor privado resolverá o problema? Vários exemplos no Brasil e no mundo jogam por terra essa tese de que o setor privado é capaz e eficiente”, disse Inácio Loiola, lembrando que diversas cidades que recorreram à privatização de seus sistemas de água e saneamento retroagiram da decisão, citando como exemplos Atlanta (EUA), Berlim (Alemanha), Paris (França), Buenos Aires (Argentina), Budapeste (Hungria) e La Paz (Bolívia). “No Brasil, o caso mais emblemático é a cidade de Manaus. Há mais de 20 anos ocorreu a privatização no saneamento da capital do Amazonas e nada melhorou. Temo que isso aconteça em Maceió”, disse Loiola.

Outro ponto de preocupação do parlamentar é que, com a venda da Casal, cerca de mil servidores do órgão podem perder seus empregos. Ele concluiu a fala questionando a visão social do Governo e afirmando que a privatização da Casal vai na contramão dos interesses do povo alagoano. “A privatização da Casal significa vender o filé e deixar o osso para os alagoanos”.

Em aparte, os deputados Davi Maia (DEM) e Marcelo Beltrão (MDB) contribuíram com o pronunciamento do colega de plenário. O primeiro, que é favorável à privatização da Casal, apresentou dados que justificam seu posicionamento. De acordo com Maia, os números apresentados e o discurso de Loiola são baseados nos dados dos representantes do Sindicato dos Urbanitários. “Como liberal que sou e estudioso da Casal, tenho que colocar as coisas realmente como são. Primeiro, infelizmente, não existe privatização da Casal. O que inventaram da Casal foi uma falácia absurda”, afirmou Davi Maia. “Toda discussão sobre a Casal vem sempre com esses dados que o Sindurbanitários vive divulgando e o presidente Clécio também divulga, mas não retrata a realidade”, disse.

Por outro lado, Marcelo Beltrão disse ser favorável à prestação de um serviço de qualidade, independente da forma. “O que nos preocupa realmente é que a privatização só se preocupa com o filé. E onde não dá lucro? A grande dificuldade da Casal é ofertar o produto em locais que não gera uma atração para a privatização”, observou.

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